Na última década, as fábricas exageraram na presença da eletrônica no automóvel, que passou a ser chamado de computador sobre rodas. Como o computador tem tela, elas se agigantaram nos carros elétricos e absorveram todas as funções dos antigos botões e teclas por comandos touchscreen. Por incrível que pareça, até a regulagem dos espelhos retrovisores externos tem que ser feita na tela.
E as telas que giram no painel? Elas servem para adaptar a visualização entre aplicativos de mapas (na vertical) ou vídeos e entretenimento (na horizontal), e não para facilitar a leitura se o carro capotar. Recentemente, marcas como a BYD decidiram abandonar esse mecanismo giratório em novos modelos para reduzir custos e complexidade técnica.
Como esse excesso de telas começou a prejudicar a segurança, a Euro NCAP, entidade europeia que avalia a segurança dos veículos, decidiu agir. A partir de janeiro de 2026, o órgão vai reduzir pontos e tirar as cinco estrelas de carros que não tiverem controles físicos (botões, alavancas ou teclas) para cinco funções essenciais: setas, pisca-alerta, buzina, limpadores de para-brisa e a chamada de emergência (eCall). As fábricas já estão se movimentando para trazer de volta os tradicionais botões para esses comandos de segurança.
