O filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, despertou a curiosidade do público desde sua estreia e ganhou ainda mais repercussão após levar o Brasil ao Academy Awards 2026.
Ambientado em Recife, no final da década de 1970, o suspense político mistura perseguição, memória histórica e elementos culturais do país. Mas, afinal, “O Agente Secreto” é baseado em uma história real?
A resposta é: não exatamente. Embora o longa utilize acontecimentos históricos e referências reais como pano de fundo, a narrativa central é ficcional.
Uma trama fictícia em um contexto histórico real
A história de “O Agente Secreto” acompanha Marcelo, personagem interpretado por Wagner Moura. No filme, ele é um professor universitário da área de tecnologia que deixa São Paulo e se muda para Recife em busca de um recomeço e também para fugir de um passado violento.
Ao chegar à capital pernambucana durante a semana de Carnaval de 1977, o personagem se vê envolvido em uma trama marcada por perseguições e segredos. O contexto político é a ditadura militar brasileira, período que serve de base para a atmosfera tensa do filme.
Apesar de esse cenário ser histórico, marcado por censura, repressão e perseguição a opositores do regime, os acontecimentos vividos pelo protagonista não correspondem a um caso real específico. O roteiro foi criado pelo próprio Kleber Mendonça Filho e não adapta uma história verídica.
Origem da ideia para o filme
Em entrevistas, Kleber Mendonça Filho afirmou que começou a conceber a história durante o processo de produção do documentário “Retratos Fantasmas”, lançado em 2023.
Segundo o diretor, as pesquisas realizadas para esse projeto ajudaram a estruturar o universo narrativo de “O Agente Secreto”. Ambos os trabalhos dialogam com temas semelhantes, como a preservação da memória histórica e o risco de esquecimento de acontecimentos importantes do passado.
Assim, embora a trama não seja real, ela foi construída a partir de pesquisa histórica e referências culturais do período.
Elementos inspirados na realidade
Mesmo sendo uma obra de ficção, o filme incorpora alguns elementos inspirados em fatos e personagens que existiram ou circularam na cultura popular brasileira.
Um exemplo é a lenda da “Perna Cabeluda”, muito difundida em jornais e rádios de Pernambuco nos anos 1970. Segundo a história, uma perna decepada apareceria à noite para atacar pessoas nas ruas.
Pesquisadores já sugeriram que a lenda poderia ter sido usada como forma indireta de denunciar casos de violência e perseguição política sem enfrentar a censura da ditadura. No filme, a referência aparece como símbolo do medo e da atmosfera de tensão daquele período.
Outro exemplo é o personagem Vilmar, pistoleiro interpretado por Kaiony Venâncio. A figura foi inspirada em Vilmar Gaio, conhecido como o “Pistoleiro de Serra Talhada”, retratado em um documentário dirigido por Eduardo Coutinho para o programa Globo Repórter em 1977.
No entanto, a relação é apenas uma referência criativa, e não uma reprodução direta da história real do personagem.
Já a misteriosa personagem interpretada por Maria Fernanda Cândido, que inicialmente se apresenta como Elza e depois revela o nome Sara Gerber, também foi criada exclusivamente para a narrativa. No enredo, ela transita entre diferentes círculos de poder e ajuda a proteger pessoas perseguidas pelo regime.
Existe um livro de ‘O Agente Secreto’?
Outra dúvida comum do público é se o filme foi baseado em um livro. A resposta também é não.
“O Agente Secreto” nasceu diretamente como um roteiro original escrito por Kleber Mendonça Filho. Ou seja, não é adaptação de romance, reportagem ou biografia.
Após o lançamento do longa, no entanto, o roteiro foi publicado em formato de livro pela editora Amarcord. A obra apresenta o texto do roteiro e inclui detalhes que ajudam a responder perguntas deixadas em aberto pelo filme.
