João Guimarães Rosa foi com maestria simples e bastante profundo ao dizer que a colheita é comum, mas o capinar é sozinho. Essa imagem ajuda a entender muita coisa da vida.
Os resultados quase sempre aparecem de forma coletiva. A comemoração, o reconhecimento e até as críticas costumam ser compartilhadas, mas o caminho até lá costuma ser silencioso e solitário. O capinar acontece longe dos aplausos, exige esforço diário, paciência e persistência. Pouca gente vê o cansaço de quem continua mesmo sem a garantia de sucesso.
Ninguém acompanha de perto as dúvidas, os tropeços e os recomeços que fazem parte de qualquer processo verdadeiro. Cada pessoa conhece a própria terra e sabe o quanto dá trabalho cuidar dela. A frase também nos ensina a respeitar os tempos. Não faz sentido comparar trajetórias. Cada um capina como pode, no ritmo possível, com as ferramentas que tem naquele momento.
Quando a colheita chega, ela se mistura e vira partilha. Mas antes disso houve trabalho silencioso, escolhas difíceis e coragem para seguir. Reconhecer o próprio esforço e o esforço do outro é uma forma concreta de respeito e humanidade.
