A companhia de teatro Grupo dos Dez vai levar o reinado mineiro ao Palácio das Artes, em BH, com uma experiência artística imersiva, sensorial e gratuita. A peça “Afropocalíptico” ficará em cartaz entre os dias 17 e 29 de março. As obras de arte utilizadas para a encenação ficarão expostas para o público, até o dia 5 de abril.
A experiência consiste em um percurso conduzido por um labirinto de instalações sonoras e visuais. Em meio a tambores, texturas, bombardeios, objetos do Reinado e cheiros de ervas, os visitantes são atravessados pela tradição do Congado mineiro e as tragédias humanas.
O espetáculo será exibido de terça–feira a domingo, às 19h. Já a exposição das obras seguirá o horário de funcionamento da Galeria Genesco Murta, que é de terça–feira a sábado, das 9h30 às 21h, e das 17h às 21h nos domingos. O acesso é gratuito e não necessita de retirada de ingressos.
Encenação
O cenário da peça constituído por duas grandes instalações em formato de espiral. Fora dela, estão representados os “escombros do mundo”, de onde surgem sonoridades como sirenes, bombardeios e ruídos humanos. A instalação também reúne canções, instrumentos musicais, coroas, cheiros e ervas.
No início da experiência, a personagem capitã do reinado resiste, mantendo viva a tradição “congadeira”. Ela conduz os últimos sobreviventes (o público) para presenciar suas armas de resistência. Divididos em dois grupos, os espectadores viverão uma experiência multilinguagem e sensorial de 40 minutos.
Após as sessões do espetáculo, as instalações permanecerão abertas para visitação. “Afroapocalíptico não é sobre ruína, mas sobre permanência. Não anuncia o fim, mas revela os modos de seguir existindo. É uma obra que articula ritual, teatro, música e política para afirmar que, diante do colapso imposto, a experiência negra nunca foi apenas sobrevivência, mas reinvenção contínua do mundo”, disse Rodrigo Jerônimo, ator do grupo.
O termo “afropocalíptico” foi cunhado pelo próprio Jerônimo, em 2018, quando ele participou de uma residência artística em uma galeria de Nova York (EUA). Com a sensação de se sentir deslocado como artista um artista de teatro negro, aquele contexto gera uma série de escritos que se transformaram no livro “Afropocalíptico”.
Segundo Rodrigo, o conceito é fundido na ideia de que o apocalipse não ocorre como resultado de uma profecia e nem deve ser encarado como um ato final. “O mundo já ‘acabou’ quando a humanidade foi destruída pela violência do Estado e do Capital”, opinou.
“Aqui estamos falando da possibilidade de extinção da raça humana pelo próprio homem. Nós aqui somos sobreviventes a essa hecatombe de genocídios de negros, indígenas, palestinos etc. Esses valores que estão aí não deram certo. Só precisamos de uma nova forma de estar no mundo e essa resposta é a tradição ancestral”, concluiu.
‘Afropocalíptico’
Data: 17 a 29 de março
Horário: terça–feira a domingo, às 19h
Local: Palácio das Artes | Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro (Galeria Genesco Murta)
Entrada gratuita
