O CCBB BH vai inaugurar a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, nesta quarta–feira (4/3), propondo uma reflexão crítica relacionada ao Mês da Mulher. A mostra tem como objetivo transformar o gesto de costurar em um ato político e poético enquanto fala sobre corpo feminino, desvalorização das mulheres e invisibilização de seus fazeres.
A iniciativa reúne 13 obras, entre esculturas, crochês e bordados, feitos pela maranhense Marlene Barros e escolhidas pela curadora Betânia Pinheiro. A ideia é, para além de apresentar os trabalhos da artista, ser resistência diante do apagamento da arte feminina ao longo da história.
“Restrito ao espaço doméstico e marcado pela desvalorização histórica, o trabalho das mulheres foi frequentemente relegado à condição de artesanato, visto como menor e privado. Por isso, neste projeto, agulha e linha tornam-se instrumentos de denúncia e elaboração simbólica: cada ponto carrega um grito contido, uma história que resiste ao esquecimento”, disse Barros.
Como surgiu a exposição
O projeto da exposição começou em uma pesquisa durante o mestrado de Marlene em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal. Com o objetivo de “remendar fissuras do tempo”, utilizando costura, bordado e crochê, a casa tornou-se, para a artista, uma metáfora do corpo.
“A minha intenção não consistia apenas em abordar questões relacionadas à casa, mas utilizar essa prerrogativa para ir além e tocar em aspectos ligados, principalmente, ao universo feminino”, explicou. A mostra ficará nas galerias do térreo do centro cultural até o dia 1º de junho, com entrada gratuita.
Entre as 13 obras disponíveis na exposição, cinco exemplificam o conceito da iniciativa:
- Eu tenho a tua cara: instalação composta por 49 rostos de mulheres com olhos e bocas trocados e costurados, propondo uma desconstrução da identidade e questionando a responsabilidade e a dependência na construção das individualidades, a partir da noção de alteridade;
- Caixa Preta: trabalho que evoca o conceito de dispositivo que registra informações secretas. Caixas com fotografias, intervenções têxteis, colagens e escritas compõem uma espécie de autorretrato expandido, no qual a artista insere referências afetivas e vivências pessoais;
- Coso porque está roto: casaco cujo avesso revela o interior do corpo humano, com órgãos bordados que representam sentimentos. A obra dialoga com o dito popular que associa o ato de remendar à proteção contra o mal agouro, acionando a costura como gesto de reparo simbólico;
- Entre nós: imersão em objetos de crochê que convida à reflexão sobre atividades historicamente atribuídas às mulheres e naturalizadas em contextos de submissão doméstica;
- Quem pariu, que embale: trabalho que problematiza a atribuição quase exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres, denunciando sua transformação em dever moral.
Atividades gratuitas
Além de visitar a mostra, o público poderá interagir com a temática em um espaço-ateliê, com a possibilidade de fazer a sua própria obra bordando, costurando ou crochetando. Neste sábado (7/3), das 15h às 17h, haverá uma visita mediada com Marlene e Betânia.
No Dia Internacional da Mulher (8/3), das 16h às 18h, a curadora Betânia Pinheiro coordenará a palestra “Tecitura do Feminino: Processos”. Haverá, ainda, a oficina “Arpilleras de si”, ministrada por Maria Vasconcelos, nos dias 11 a 14 de março, 15 a 17 de abril e 11 a 15 de maio, sempre de 14h às 17h (inscrições aqui).
‘Marlene Barros: tecitura do feminino’
Data: 4 de março a 1º de junho
Horário: quarta a segunda–feira, 10h às 22h
Local: CCBB BH | Praça da Liberdade, 450 – Funcionários
Entrada gratuita
