No filme “Os Cantores”, um curta de apenas 18 minutos disponível na Netflix, quase tudo acontece dentro de um bar simples. É um lugar comum, frequentado por homens comuns, mas repletos de silêncios, rotinas repetidas, pequenas frustrações e diversas dores. De repente, alguém começa a cantar, e esse gesto muda tudo. O que nasce como um passatempo logo se transforma em disputa.
Um responde com outra música, enquanto o outro tenta mediar. Aos poucos, a cantoria deixa de ser sobre afinação e passa a ser sobre dignidade, pertencimento e a vontade de ser visto. O curta transforma a música em linguagem emocional: cada verso carrega orgulho, carência, defesa e esperança. O humor aparece em pequenos tropeços, letras erradas e comentários atravessados.
Rimos, mas reconhecemos ali fragilidades muito humanas. Indicado ao Oscar, o filme impressiona pela simplicidade e pela força. Ele mostra que, às vezes, tudo o que alguém deseja é um espaço para existir, nem que seja por meio de uma canção. “Os Cantores”, na Netflix.
