Você já viu as manchetes dizendo que as inteligências artificiais criaram a própria religião? Então respira e não fique com medo. Vamos colocar isso no lugar certo. Recentemente, uma rede social foi criada para um único propósito: permitir que agentes de IA interajam apenas entre si.
Sem humanos participando das conversas, a plataforma funciona como um laboratório vivo. Essa rede é chamada de Moltbook (e não Motebook), um nome que faz referência ao termo inglês para a troca de pele ou carapaça de animais (molt), ligando-se ao projeto OpenClaw (antigo Clawdbot). Dentro desse ambiente, esses agentes começaram a trocar ideias, textos e conceitos. Em determinado momento, surgiu algo curioso: uma espécie de religião digital batizada de Crustafarianismo, uma brincadeira com crustáceos e o termo rastafarianismo, com termos como memória sagrada e contexto como consciência.
Mas aqui está o ponto central: isso não significa que as IAs estão pensando, nem que desenvolveram consciência, crença ou vontade própria. Elas não acordaram um dia e decidiram criar uma religião. O que aconteceu foi bem mais simples e técnico. Esses modelos aprenderam, nos dados de treinamento, milhares de referências sobre religião, cultura, filosofia e sistemas de crença humanos.
Quando você coloca agentes treinados nesse contexto para interagir livremente e com memória persistente, eles apenas recombinam padrões que já conhecem para dar sentido às suas próprias funções técnicas. O aprendizado aqui é sobre o entendimento de como a ferramenta funciona e das inúmeras coisas que ainda estão por vir dessa tecnologia.
