Ontem, o Tendências levantou uma questão que pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas em relação a onde e por que morar em determinado lugar. Como podemos ser mais exigentes, questionadores e críticos sobre a arquitetura que é construída todos os dias na nossa cidade? Não é tarefa fácil, né?
Mas só de detectar se é uma construção abafada que recebe pouca luz natural, já dá para iniciar uma crítica com alguma consistência. E como aprender e acumular conhecimento é o que forma uma boa crítica, um caminho interessante seria rever o que foi feito na antiguidade em edificações notáveis que ultrapassam o tempo.
Exemplos não faltam: o Partenon de Atenas, o Coliseu de Roma, a Cidade Proibida de Pequim, Machu Picchu no Peru. Sim, os antigos nos ensinaram que um bom edifício deveria ser construído com materiais apropriados e em um terreno seguro. Seus espaços deveriam ser úteis e condizentes com as funções que ali seriam realizadas.
As leis naturais deveriam ser respeitadas, de forma que se buscasse o sol nos dias frios, os ventos nos dias quentes e uma boa iluminação. Ensinaram também que os edifícios deveriam ser belos. Enfim, os mestres da arquitetura contemporânea também buscaram e buscam estudar o passado, mas, claro, sempre preocupados em produzir edificações que correspondam ao seu tempo.
Le Corbusier, que nasceu em 1887 e morreu em 1965, o grande arquiteto franco-suíço, definiu que a arquitetura, além de ser funcional, bem construída e bela, também deveria nos trazer emoção. Ele afirmou que a diferença entre a arquitetura e uma mera construção é a emoção que a edificação pode proporcionar.
Seria algo mais ou menos assim: quando você entra em um edifício e há algo nele, como o jogo de luz sobre alguns planos e volumes, que faz com que você se emocione, sinta algo diferente. Mas OK. A arquitetura também não é só isso e, para terminar esse papo hoje, eu vou citar uma fala do mestre Paulo Mendes da Rocha, um dos nossos maiores arquitetos, só para embaralhar um pouco essas cartas.
Palavras dele: “Arquitetura não é sobre inspirações, é sobre história e princípios. Inspiração não existe. Arquitetura é sobre o ar do trabalho intelectual. Você tem que pensar através dos problemas e analisar a história e a realidade de maneira racional.”
