“Adeus, June” não é um filme sobre o fim, mas sobre o que acontece quando ele se aproxima e obriga as pessoas a voltarem. Uma mãe adoece e, a partir disso, filhos que aprenderam a viver à distância retornam ao mesmo espaço, não por escolha, mas porque já não dá mais para adiar.
Essa mãe, silenciosa em muitos momentos, é o eixo de tudo. É em torno dela que os afetos se organizam, que as culpas reaparecem, que as antigas ausências ganham peso. Ela não é apenas quem parte, é quem, mesmo fragilizada, ainda sustenta o encontro. O filme não aposta em grandes confrontos, mas mostra pequenas fraturas, conversas interrompidas, cuidados atravessados por cansaço, gestos de amor que exigem esforço.
Amar ali não é bonito nem fácil; é permanecer quando fugir seria mais simples. A despedida não acontece de uma vez, ela escorre pelo cotidiano: no café que esfria, no olhar que demora, no toque que hesita. O filme “Adeus, June” lembra que, muitas vezes, é a presença de uma mãe, mesmo no limite, que revela o que ainda nos liga e o que ficou por dizer.
