Maria Marta: era assim que ela gostava de ser chamada. Ela era aquela que não queria participar das nossas ações voluntárias naquele lar para idosas. Parecia ter mais lucidez que as demais, e isso a deixava ainda mais triste. Como chegou àquele lar, não cabia a mim saber.
Um dia, fui direto de outras atividades para aquela ação no lar e levei minha mochila e um livro que estava lendo que eu segurava na mão. Entrei, cumprimentei a todas e deixei a mochila e o livro em um canto. Distraído, não percebi que ela estava folheando o livro “O Velho Mar” de Ernest Hemingway. Quando senti que podia, cheguei perto e perguntei se ela conhecia a história daquela obra. Ela me olhou e foi narrando.
Ela havia sido professora de literatura, amava livros, mas até então, tinha largado para trás tudo que amava. Fiz uma campanha nas redes sociais e levei alguns títulos para ela. Como que agradecendo ela disse: “É tão triste viver em meio a tantas pessoas com demência e não tê-la. Tem dias que eu rogo aos céus para acordar e não perceber que acordei”.
Eu só espero que o amor pela literatura seja uma boa companhia para Maria Marta e para tantas outras pessoas.