Michelângelo, um dos maiores artistas da história, certa vez respondeu a uma pergunta aparentemente simples sobre como fazia uma escultura. Ele disse que apenas retirava do bloco de mármore tudo o que não era necessário. Essa resposta fala muito mais do que só sobre arte; ela fala sobre vida, escolhas e processos.
A escultura não surge do acréscimo, mas da retirada. Não é sobre colocar mais, e sim sobre aprender a tirar aquilo que sobra. Ao longo da vida, vamos acumulando expectativas, medos, pressões e ideias que nem sempre são nossas. As crenças limitantes também entram nesse processo. Vamos nos enchendo de ruídos, de exigências e de papéis que não nos cabem mais.
Muitas vezes, o trabalho mais difícil não é construir algo novo, mas ter a coragem de remover o que já não faz mais sentido. Assim como no mármore, existe algo essencial em cada pessoa. O desafio é chegar até isso com paciência, escuta e respeito pelo próprio tempo. Tirar excessos dói, exige cuidado e responsabilidade, mas revela forma, beleza e verdade.
