Eu continuei lendo esses dias alguns artigos sobre o arquiteto chileno Smiljan Radic, vencedor do prêmio Pritzker deste ano, e várias coisas me chamaram muito a atenção no trabalho dele. Mas hoje vou me ater apenas a uma, porque me fez lembrar do Pedro Lázaro, um arquiteto mineiro de quem gosto muito do que faz.
Eu li que o trabalho do Radic tem suas raízes em influências intelectuais mais amplas. Filosofia, literatura e narrativas mitológicas frequentemente influenciam o pensamento projetual dele, fornecendo estruturas conceituais que moldam tanto as imagens quanto a organização espacial. Eu acho isso incrível.
Uma vez, eu vi o Pedro Lázaro comentar que passou para uma arquiteta mais nova, interessada em crescer na profissão, a tarefa de ler Os Lusíadas, de Camões. Por que será que seria importante para um arquiteto ler Os Lusíadas? Eu acredito que o Pedro pensou nessa hora em somar, e cultura e conhecimento não estão ligados somente a viagens pelo mundo.
Sim, elas são ativos importantes na bagagem. Mas, além delas, buscar influências intelectuais mais amplas — seja na literatura, na filosofia, em narrativas mitológicas, no que for — é o que faz um arquiteto ultrapassar as tendências ditadas por Milão, por exemplo, para criar um projeto que realmente faça história.
