A obra Feliz Ano Velho, clássico assinado por Marcelo Rubens Paiva que atravessou a juventude na década de 1980, será transformada em série pela Netflix. O anúncio veio da plataforma de streaming na manhã de quinta-feira, 24, durante uma conversa com a imprensa na 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
Num vídeo apresentado no momento do anúncio, o escritor demonstrou grande entusiasmo com a iniciativa, descrevendo-a como mais uma “casamento entre a literatura e o audiovisual brasileiro que leva nossas histórias das páginas às telas”.
Lançado em 1982, Feliz Ano Velho reúne as memórias do autor sobre os momentos anteriores e posteriores ao acidente que o tornou paraplégico quando tinha 20 anos. Esse episódio se deu tempos depois dos fatos narrados em Ainda Estou Aqui, publicado em 2015 e adaptado para o cinema em produção premiada com o Oscar em 2024.
A responsabilidade pela série cabe à produtora Amaia, em conjunto com a O2 Filmes. Segundo Haná Vaisman, diretora de Séries da Netflix Brasil, o autor não participará diretamente da adaptação, embora tenha dado aval ao projeto elaborado pelas produtoras e pela plataforma.
Trata-se da segunda vez que a obra chega às telas, depois da versão cinematográfica de 1987, dirigida por Roberto Gervitz. A executiva da Netflix explicou que a nova produção se passará nos anos 1980, mas pretende aproximar a narrativa da realidade atual para dialogar com o público mais jovem.
“Temos falado muito sobre a desconstrução masculina, algo que o Marcelo teve que fazer por uma causa externa”, exemplificou. Entre outros assuntos, o livro trata da descoberta da sexualidade na juventude masculina e das mudanças que ela sofre após o acidente do protagonista.
O roteiro segue em fase de construção. Não há data definida para a estreia nem detalhes sobre quem integrará o elenco.
O projeto reforça a aposta da Netflix em adaptações de obras literárias. De acordo com Flávia Vígio, VP de Comunicação da empresa no Brasil, aproximadamente 20% das horas consumidas mundialmente no streaming em 2025 vieram de conteúdos baseados em livros — algo em torno de 9 bilhões de horas.