A Multiplan encerrou 2025 com resultado forte e operação afinada. No balanço do ano, a companhia registrou lucro líquido de R$1,14 bilhão e EBITDA recorde de R$2,0 bilhões, com margem de 73,1%. Os números indicam avanço de rentabilidade e eficiência, com controle de custos e crescimento de receita ao longo do período.
Em Belo Horizonte, onde a Multiplan administra BH Shopping, DiamondMall e Pátio Savassi, os três ativos entraram numa onda positiva: vendas em alta, ocupação forte e avanço operacional. Mas um dado, sozinho, acende a luz no painel: o DiamondMall foi o shopping com a maior evolução anual de vendas de todo o portfólio da empresa em 2025, saltando 22,6% e batendo R$1,04 bilhão em vendas.
Por trás desses números, há uma tese, e um método. Para entender o “como” e o “para onde”, conversamos com Lívia Paolucci, diretora regional dos shoppings da Multiplan em Minas Gerais e Brasília, numa entrevista que ajuda a colocar a lupa no que realmente importa: investimento, reposicionamento e a disputa silenciosa pela atenção do consumidor.
DiamondMall: quando obra vira venda
O primeiro tema inevitável foi o salto do DiamondMall. A explicação, segundo Lívia, é direta e bem pouco misteriosa: três anos de revitalização + expansão. A revitalização mexeu no que o cliente sente, piso, forro, revestimentos, elevadores, mobiliário, paisagismo, numa atualização arquitetônica para empurrar o shopping para um “novo patamar” de experiência. E, para coroar, veio a expansão, com novas lojas e restaurantes, reforçando o posicionamento de um shopping mais sofisticado e desejado.
O balanço confirma o efeito: o Diamond chegou ao R$1,04 bilhão sustentado por ocupação elevada (94,3%) e pela “força do mix”, com contribuição relevante da expansão e do novo quarto piso.
Lívia revela que a obra não foi só engenharia, foi curadoria. A mensagem é clara: não adianta lotar por lotar. Ocupação forte sem perder qualidade de mix é o jogo de xadrez, e não o dominó.
A receita é cliente, cliente, cliente
Aqui, a conversa saiu das vendas e entrou na gestão. Lívia revela o que ela chama de DNA da companhia: foco radical no cliente.O shopping deixa de ser “um lugar de lojas” e vira um ecossistema de hábitos.
A lógica é quase matemática: gastronomia puxa fluxo novo; o fluxo novo abre espaço para compras por impulso, conveniência (academia, supermercado, serviços) traz recorrência; a recorrência melhora vendas e, por consequência, melhora aluguel e ocupação. O segredo não é um truque, é a compreensão de comportamento, testar mix e atualizar o ambiente antes que ele fique datado. E nisso a Multiplan tem mostrado consistência: no portfólio, a taxa de ocupação chegou a 96,3%, a maior desde 2019.
Traduzindo com um toque de humor: o shopping dá certo quando ele para de parecer um condomínio de vitrines e passa a funcionar como praça de cidade com ar-condicionado, só que com planilha, KPI e disciplina.
BH Shopping e a sexta expansão
No BH Shopping, o número impressiona: R$1,9 bilhão em vendas em 2025. Mas o ponto da pauta é a sexta expansão, com investimento de cerca de R$30 milhões e entrega prevista para o primeiro semestre de 2026. A nova área adiciona 1.962 m², um crescimento de 4,1%.
Na entrevista, Lívia enquadra essa expansão como cirúrgica: não é uma reforma gigantesca para fazer barulho; é uma ampliação desenhada para resolver uma dor real, demanda por lojas maiores e marcas específicas num shopping que já opera com vacância muito baixa, chegou a 99% de ocupação no 4º trimestre de 2025.
O que muda na experiência e na receita?
Muda a percepção de modernidade e o potencial de ticket: entram marcas e formatos com alto apelo de público e alto poder de atração. A mensagem estratégica é: o BH Shopping quer seguir como shopping regional e familiar, mas sem perder o pulso do presente”, porque shopping que envelhece vira hábito abandonado.
Pátio Savassi: o shopping-lifestyle
Se o Diamond é luxo e o BH é regional, o Pátio Savassi é, nas palavras da própria gestão, o shopping “lifestyle”: mais urbano, mais de tribos, mais de encontro. Em 2025, fechou com R$682 milhões em vendas e crescimento de 6,5%. Nesse caso o tema é a revitalização, com foco em convivência, gastronomia e bem-estar, e com destaque para o terceiro piso, que recebe 14 novas operações e investimento de aproximadamente R$46 milhões.
Para Lívia o objetivo é triplo, e coerente: mais permanência, ticket médio maior e atração de novos públicos. A Savassi mudou. A região verticaliza, a circulação se transforma, e o shopping que não se reposiciona vira peça de museu, bonito, mas parado. A obra, portanto, é menos estética e mais estratégica. Reorganizar o espaço para que o Pátio continue sendo destino, não só passagem.
Três shoppings, uma cidade: como não canibalizar?
E como evitar que um shopping roube o público do outro? A resposta veio em duas palavras: mix e comunicação.
Lívia revela que a Multiplan aposta em posicionamentos claros:
- BH Shopping: regional, familiar, com grande ancoragem e variedade.
- DiamondMall: sofisticado, marcas nacionais e internacionais, forte em moda e gastronomia.
- Pátio Savassi: lifestyle, tendência, tribos, experiência urbana e convivência.
Além disso, há um fator invisível que pesa cada vez mais, a mobilidade. Com trânsito difícil, o consumidor tende a escolher por proximidade de casa, trabalho, rotina. Isso reduz parte da canibalização e aumenta a necessidade de cada ativo ter uma proposta nítida, para que a escolha não seja só o mais perto, mas o que faz sentido hoje.
O shopping do futuro não é prédio; é hábito
O que a entrevista e o balanço sugerem, juntos, é uma leitura de tempo: a Multiplan está tratando shopping como produto vivo, que precisa ser atualizado com a mesma regularidade com que o consumidor muda de comportamento. E quando isso é bem feito, os números aparecem, e no caso de BH, um DiamondMall que rompeu a barreira simbólica do bilhão com crescimento de dois dígitos
Para 2026, Lívia entende que o desafio não é só crescer: é crescer sem perder identidade, entregar expansões sem ruído, manter o mix afiado e continuar transformando visita em experiência, e experiência em vendas. No fim, shopping não compete apenas com outros shoppings. Compete com o sofá, com a tela, com o delivery, com o “depois eu vou”. E o recado deixado em 2025 é que, quando o lugar vira hábito, o hábito vira resultado.
Assista a entrevista completa:
