Uma análise forense independente reacendeu o debate em torno da morte de Kurt Cobain, ao contestar a conclusão oficial de suicídio estabelecida há mais de três décadas. O novo estudo, publicado no International Journal of Forensic Science, revisitou a autópsia e os registros da cena onde o vocalista do Nirvana foi encontrado morto.
À época, o Gabinete do Médico Legista do Condado de King concluiu que Cobain, então com 27 anos, morreu por suicídio após um tiro de espingarda Remington Modelo 11 calibre 20. O caso marcou o fim precoce de uma das figuras centrais do rock dos anos 1990 e transformou o cantor em símbolo de uma geração.
Mais de 30 anos depois, uma equipe privada de cientistas forenses decidiu reavaliar os materiais originais da investigação. Segundo o relatório, elaborado após três dias de análise técnica, há indícios que levantariam a hipótese de homicídio. O artigo lista dez pontos de evidência que, na visão dos autores, não se ajustariam a uma morte imediata causada apenas por arma de fogo.
Quadro de overdose
Entre os elementos destacados estão achados da autópsia como líquido nos pulmões, hemorragia ocular e danos no cérebro e no fígado. Para os pesquisadores, essas alterações seriam mais compatíveis com um quadro de overdose de heroína, substância presente no organismo do músico, do que com um óbito instantâneo por tiro na cabeça.
O estudo também chama atenção para detalhes da cena descrita nos registros: as mangas da camisa estariam arregaçadas e o kit de heroína teria sido encontrado a alguns metros do corpo, com seringas tampadas e objetos organizados.
A pesquisadora independente Michelle Wilkins, que participou da revisão ao lado do especialista Brian Burnett, argumenta que a disposição dos itens não condiz com o comportamento esperado de alguém em colapso físico. “Suicídios são complicados, e esta foi uma cena muito limpa”, afirmou.
Heroína teria incapacitado Cobain
Outro ponto levantado é a quantidade de heroína no sangue de Cobain. Durante a investigação original, a polícia informou que a dose seria até dez vezes superior à consumida por usuários frequentes. Para a equipe atual, isso poderia ter incapacitado o músico antes do disparo, dificultando o manuseio da espingarda.
Os autores do artigo defendem a hipótese de que Cobain poderia ter sido forçado a uma overdose para perder a consciência e, posteriormente, atingido por terceiros, com a arma posicionada em seus braços e uma carta de despedida deixada na cena. Eles ressaltam, contudo, que a tese depende de novas apurações.
Apesar das alegações, as autoridades locais não pretendem reabrir o caso. Em comunicado citado pela imprensa britânica, o Instituto Médico Legal do Condado de King afirmou que realizou uma autópsia completa e seguiu todos os protocolos na época, mantendo a conclusão de suicídio.
O órgão declarou estar aberto a revisar o processo caso surjam evidências inéditas, mas disse não haver, até o momento, justificativa para mudar o parecer.
