Nunca estivemos tão cercados de pessoas e, paradoxalmente, nunca falamos tanto sobre solidão. Eu sempre cito uma fala do Bauman, sociólogo polonês, que dizia que estamos todos em uma multidão e em uma solidão ao mesmo tempo.
A forma mais dura de solidão não é a de quem está fisicamente só, mas a de quem está acompanhado e não se sente visto. Refiro-me a pessoas que conversam sem ser escutadas, que falam e percebem que o outro está distraído com o celular, com os pensamentos ou com a pressa. A solidão acompanhada nasce da falta de presença. É quando sobra contato, mas falta encontro. As conversas ficam rasas, as respostas tornam-se automáticas e o tempo compartilhado não cria vínculo.
Com a maturidade, aprendemos que não precisamos de muitos ao nosso redor, mas de poucos que estejam inteiros. A presença não é apenas física; é estar ali de fato. Uma boa escuta sustenta mais do que conselhos, opiniões ou soluções rápidas. O caminho para diminuir a solidão talvez não seja a quantidade de gente, mas a profundidade das nossas relações.
Ter com quem ser quem se é de verdade, sem ensaios, sem máscaras e sem performances, é algo realmente valioso.
