“Eu tenho medo de morrer”, confidenciou uma idosa num dos lares que visitei. Eu sussurrei para ela que eu também tenho, mas que aprendi com um médico que é melhor não se preocupar com aquilo que ainda não aconteceu. Por isso, vou me preocupar com a morte só quando ela chegar. Ela riu.
Chegou a tossir de tanto rir e depois disse que já perdeu muita gente na vida, mas que a maior dor que carrega no peito foi não ter dito aos filhos um eu te amo. Contou que amava muito cada um deles, mas que não foi criada para dizer isso em palavras.
Disse que demonstrava no cuidado do dia a dia, nos gestos e até nos gritos, que eram uma forma de proteger, mas que ainda assim sente que ficou faltando algo que hoje não pode mais ser dito. Então, ela falou com uma serenidade que doía que o coração acabou endurecendo quando perdeu os filhos, sem ter tido a chance de dizer aquilo que sempre esteve dentro dela: “Eu te amo”.
