Um dia antes de uma palestra, uma pessoa me disse: você nem sente mais frio na barriga antes de falar em público, não é? Eu ri e expliquei que, por mais segurança que eu tenha naquilo que vou falar, o frio na barriga me diz que estou vivo e não robotizado no palco. Frio na barriga não é privilégio da juventude; é sinal de vitalidade.
Enquanto alguma coisa ainda provoca entusiasmo, curiosidade ou aquele medo bom que mistura desejo e insegurança, a vida continua pulsando. Pode ser um projeto novo, uma viagem adiada ou o que ainda está por chegar, como um curso, uma conversa que ficou para depois ou uma decisão importante. A maturidade não elimina sonhos; ela os seleciona e ensina a escolher melhor onde vale a pena empregar energia, tempo e aposta.
Quando nada mais provoca esse frio, é um sinal de alerta. Não para desistir da vida, mas para se reencontrar com ela. Às vezes, o excesso de rotina nos anestesia e confundimos estabilidade com ausência de desejo. Não existe idade certa para começar algo novo; existe vontade ou adiamento. O frio na barriga não garante o sucesso, mas indica movimento, e o movimento é sempre melhor do que a estagnação.
E aí é que eu te pergunto: o que hoje, mesmo que discretamente, faz o seu coração bater um pouco diferente?
