Vivemos na era do conforto extremo: comida pronta, controle remoto, elevador, delivery, temperatura regulada, sapato confortável e agasalho. Vivemos evitando qualquer desconforto e, paradoxalmente, nunca estivemos tão cansados, inflamados e metabolicamente frágeis.
Para nós, classe média que estamos ouvindo rádio dentro do nosso carro, o problema hoje não é o excesso de esforço, mas o excesso de comodidade. Nosso corpo foi desenhado para o desafio, para a adaptação e para o movimento. Quando retiramos o estímulo, ele atrofia. Quando evitamos o desconforto, perdemos potência metabólica. É exatamente essa reflexão que a médica Maíra Soliani propõe no livro “A Ciência do Desconforto”.
A autora defende que pequenas doses estratégicas de desconforto, como exercício físico, exposição ao frio, jejum planejado e disciplina alimentar, funcionam como estímulos de fortalecimento celular e metabólico. Não se trata de radicalismo, mas de entender que o desconforto bem dosado gera adaptação, e a adaptação gera saúde. Talvez a pergunta não seja: como posso ter mais conforto?
E sim: qual o desconforto inteligente que estou disposto a abraçar para viver melhor?
