Não dá para falar que estamos deixando de sentir de verdade os momentos que estamos vivendo. Mas uma coisa é certa: a sensação é de que muita gente parece viver para registrar momentos nas redes sociais, como se a felicidade precisasse de plateia para existir quando, na verdade, ela quase sempre nasce no invisível, no cotidiano simples.
O problema não é o de compartilhar bons momentos, mas transformar esses momentos em uma postagem obrigatória. Por causa das redes sociais, nunca se produziu tanta imagem de casas felizes com fotos bem quadradas, luz perfeita e tudo no lugar.
E aí a gente lembra o quanto é bom uma casa afetiva, como diz o texto do arquiteto Jonas Lourenço: Casa afetiva não precisa ser o lugar bonito para fotografar. É o lugar onde não há necessidade de performance, onde o silêncio não constrange, onde o choro não precisa de legenda e onde a alegria não precisa de um filtro.
A pergunta não é quantas fotos felizes você postou, mas: existe um lugar onde você pode simplesmente deixar de postar e ainda assim sentir que está em casa? Uma boa semana para todo mundo.
