Silvia e Sofia são filhas do senhor Antero, que já se aproxima dos 90 anos de idade. Cada uma tem sua própria rotina, trabalho, família e compromissos, e no meio dessa vida corrida sempre existiu também o cuidado com o pai. Durante um tempo, Antero foi morar com a Silvia. A intenção era boa, claro, mas a casa ficava vazia grande parte do dia. Silvia e o marido trabalhavam e ele acabava passando muitas horas sozinho. Quando todos se encontravam à noite, nem sempre era simples.
Antero não conseguia ficar indiferente às discussões do casal. Dava opinião, tomava partido da filha, é claro, e os atritos começaram. A saúde dele também já não era das melhores. Até que um dia, as duas filhas conversaram com o pai e os três decidiram que ele iria morar em um lar de idosos ali perto. A mudança não foi fácil, mas aos poucos Antero começou a ter mais companhia, encontrou gente para jogar xadrez, disputar uma partida de cartas e conversar mais.
Quando as filhas aparecem, ele ainda reclama um pouco, como quem não quer dar o braço a torcer. Mas as cuidadoras contam que ele gosta de gente e que o lugar fez bem a ele. Só existe uma coisa que pesa para o senhor Antero: a semana em que ninguém aparece para uma visita. Essa, dizem por lá, é sempre a mais silenciosa.
