O matcha deixou de ser um produto restrito a nichos e se consolidou como parte da rotina de consumo de jovens brasileiros. Tradicional na Ásia, o chá verde em pó ganhou espaço em cafeterias, empórios e redes de alimentação no país, acompanhando mudanças de comportamento e maior busca por foco e bem-estar ao longo do dia.
Dados de mercado e movimentos observados por redes do setor indicam que o matcha deve ampliar a presença em 2026, impulsionado por um público que prioriza alimentos funcionais e experiências diurnas. A bebida também se tornou recorrente nas redes sociais, com vídeos de preparo, avaliações e receitas.
O que é matcha?
O matcha é um chá verde em pó produzido a partir das folhas da planta Camellia sinensis, especificamente da variedade tencha. Antes da colheita, as plantas são cultivadas à sombra, técnica que altera a composição química das folhas. Depois de colhidas, elas são secas e moídas lentamente em moinhos de pedra até se transformarem em um pó fino.
Embora tenha origem na China, foi no Japão que o matcha se consolidou como parte de um ritual associado à meditação, ao foco e ao equilíbrio mental. Esse processo de preparo e consumo tradicional influenciou a forma como a bebida é percebida atualmente, inclusive fora da Ásia.
No Brasil, o produto passou de item especializado a presença frequente em cardápios de cafeterias. A expansão acompanha a busca por alternativas ao café tradicional e por bebidas com propriedades funcionais.
Matcha tem cafeína?
Sim, o matcha contém cafeína. A diferença em relação ao café está na forma como o organismo absorve essa substância. O chá oferece energia gradual devido à presença da L-teanina, um aminoácido que contribui para a sensação de foco e calma.
A combinação entre cafeína e L-teanina é apontada como responsável por reduzir os picos de ansiedade associados a outras bebidas estimulantes. Isso tem atraído consumidores que buscam produtividade sem efeitos colaterais mais intensos.
A preferência pelo matcha também se insere em um movimento geracional mais amplo. Jovens têm reduzido o consumo de álcool e priorizado hábitos considerados mais equilibrados. Nesse cenário, bebidas com cafeína, mas associadas a foco e bem-estar, ganham espaço.
Para que serve o matcha?
O matcha é consumido principalmente, como alternativa ao café e como parte de uma rotina voltada para energia e concentração. Por ser feito a partir da folha inteira moída, preserva nutrientes e compostos presentes no chá verde.
De acordo com Elói Ferreira, cofundador da rede Go Coffee, a bebida vai além do consumo pontual. “O matcha representa uma mudança de mentalidade, de rotina e de autocuidado. É sobre como as pessoas querem se sentir ao longo do dia”, afirmou.
Ele avalia que o crescimento da bebida não se resume a modismo. “O matcha é uma bebida milenar que conversa com as demandas atuais. Ele entrega energia, foco e ritual. Diferente de outras tendências passageiras, se sustenta porque atende a uma necessidade real do consumidor”, disse.
O avanço também é impulsionado por sua presença em grandes redes internacionais, como Starbucks, e por criações de marcas como a Krispy Kreme, na Ásia. No Brasil, redes como a Go Coffee mantêm o produto como item estratégico no cardápio, com versões quentes e geladas.
Para 2026, a expectativa do setor é ampliar a oferta e consolidar o matcha como parte da rotina urbana, alinhado à lógica do “beber menos e melhor”, tendência cada vez mais presente entre consumidores mais jovens.
