A experiência de visita ao Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), acaba de ganhar um novo capítulo. Neste mês, os restaurantes do museu passaram a operar sob a curadoria do Grupo Capim Santo, liderado pela chef Morena Leite e pela sócia Adriana Drigo. A parceria marca uma nova fase gastronômica no local, ampliando o diálogo entre arte, natureza e culinária brasileira.
Agora, o grupo opera em três espaços fixos, Comedoria Oiticica, Restaurante Tamboril e Café das Flores, além da área de eventos. A proposta é aprofundar a experiência sensorial do visitante, alinhando a gastronomia ao conceito de imersão que caracteriza o Inhotim.
Gastronomia mineira como ponto de partida
O primeiro espaço a apresentar a nova fase foi o antigo Restaurante Oiticica, que agora se chama Comedoria Oiticica por Capim Santo. O restaurante presta tributo à cozinha mineira, com serviço em formato buffet a quilo e cardápio inspirado nas 12 regiões gastronômicas de Minas Gerais.
Entre os preparos estão frango com quiabo, feijão tropeiro, tutu de feijão e lasanha de frango com milho e requeijão, além de doces e compotas que remetem à Zona da Mata, fubá de milho branco associado ao Campo das Vertentes e referências aos cafés do Sul de Minas. A proposta busca valorizar ingredientes locais, técnicas tradicionais e modos de servir característicos do estado.
A ambientação do espaço também acompanha esse conceito. A intervenção temporária e reversível, assinada pelo BLOCO Arquitetos, respeita a arquitetura original e estabelece conexão direta com a paisagem natural do museu.
Segundo Morena Leite, o projeto parte de uma leitura afetiva e territorial da culinária mineira. A ideia é que o restaurante reflita o modo de receber e compartilhar típico de Minas Gerais, integrando comida e cultura.
Novos percursos gastronômicos no Inhotim
Além da Comedoria Oiticica, o complexo de restaurantes do Inhotim conta com o Restaurante Tamboril e com o Café das Flores, que ampliam as possibilidades ao longo do percurso pelo museu.
O Restaurante Tamboril por Capim Santo, localizado na área central do Instituto, opera com serviço à la carte e propõe uma leitura ampla da gastronomia brasileira. O cardápio reúne ingredientes e referências de diferentes regiões do país, com toque autoral da chef. O espaço funciona de quarta a domingo, das 12h às 16h.
Já o Café das Flores por Capim Santo atua como ponto de pausa entre galerias e jardins. O cardápio inclui cafés selecionados, sanduíches preparados na casa, pães de queijo e lanches rápidos, pensados para acompanhar o ritmo da visita. O café também funciona de quarta a domingo, das 12h às 16h, e aceita reservas.
A nova operação gastronômica também abrange todos os eventos realizados no Inhotim. Segundo Adriana Drigo, essa frente exige planejamento e precisão, respeitando o contexto institucional e o perfil do público.
Capacitação e impacto regional
A implementação da nova fase inclui um processo estruturado de capacitação das equipes, liderado pelo Grupo Capim Santo. Formadas majoritariamente por profissionais de Brumadinho e região, as equipes passam por qualificação técnica, organização de processos e alinhamento de cultura.
Para Paula Azevedo, diretora-presidente do Inhotim, a parceria reforça o conceito de experiência que define o museu. A integração entre arte, jardim botânico e gastronomia é vista como diferencial competitivo e como parte da estratégia de gestão adotada pela instituição nos últimos anos.
Desde 2022, o Inhotim vem consolidando um modelo organizacional que também o posiciona como plataforma para novos negócios. A presença de empreendimentos como o resort Clara Arte e o anúncio de uma unidade da rede hoteleira Vila Galé na região reforçam o papel do museu como vetor de desenvolvimento em Brumadinho.
Sobre o Grupo Capim Santo
Fundado em 1985, a partir de um restaurante em Trancoso (BA), o Grupo Capim Santo atua hoje em seis verticais de negócios que unem gastronomia, educação, sustentabilidade e hospitalidade. Em 2023, conquistou a certificação de Empresa B, integrando um movimento global de organizações comprometidas com impacto social e ambiental.
O grupo também mantém o Instituto Capim Santo, criado em 2009, que promove formação profissional para jovens em situação de vulnerabilidade social em diferentes regiões do país.
