“Frankenstein”, novo filme de Guillermo del Toro, estreou em grande estilo na Mostra de Veneza, nesse sábado (30/08). A produção, uma adaptação do clássico de Mary Shelley, foi aplaudida durante 15 minutos pelo público, consolidando-se como um dos destaques do festival.
A exibição marcou também a abertura da mostra, que neste ano escolheu os “monstros” reais e fictícios como tema central. Nesse contexto, a releitura de del Toro encontrou terreno fértil para reflexão sobre a criação, a identidade e a humanidade.
Reações do público e da crítica a Frankenstein
Embora a recepção inicial tenha sido calorosa, a crítica especializada parece estar dividida. No Rotten Tomatoes, site norte-americano especializado em cinema e TV, “Frankenstein” aparece com aprovação próxima de 76%, com elogios ao visual e às atuações, mas também críticas ao roteiro.
Parte da imprensa destacou o impacto estético do filme, chamando-o de “visualmente deslumbrante e cheio de paixão”. O desempenho de Jacob Elordi, que interpreta a criatura, foi amplamente elogiado, descrito como o grande destaque da trama.
Por outro lado, alguns críticos apontaram falhas narrativas. O Hollywood Reporter classificou o longa como grandioso, mas desequilibrado, enquanto veículos como o The Times criticaram a construção de personagens e até mesmo o sotaque adotado por Oscar Isaac, que dá vida ao Dr. Victor Frankenstein.
Um épico gótico de del Toro
Com 149 minutos de duração e orçamento estimado em US$ 120 milhões, “Frankenstein” reafirma a assinatura de Guillermo del Toro, marcada por cenários exuberantes e atmosfera sombria. Além de Elordi e Isaac, o elenco reúne nomes como Mia Goth, Christoph Waltz e Charles Dance, reforçando o peso dramático da produção.
O filme será lançado de forma limitada nos cinemas a partir de 17 de outubro de 2025 e chega à Netflix em 7 de novembro, ampliando o alcance global da obra.
Entre monstros e metáforas
O enredo segue a essência do romance de Mary Shelley, mas ganha a interpretação única de del Toro, que busca explorar não apenas o terror, mas também a poesia presente na figura do monstro. Em um festival que discute os diferentes tipos de “monstros” — de criaturas literárias a personagens históricos —, o longa se encaixa como reflexão sobre poder, responsabilidade e humanidade.
A estreia em Veneza posiciona “Frankenstein” como forte candidato na corrida por prêmios. A ovacionada recepção pode impulsionar a produção rumo ao Oscar, apesar das críticas divergentes. Del Toro, já vencedor da estatueta por “A Forma da Água”, aposta em mais uma narrativa que mistura fantasia, drama e questionamentos existenciais.