O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) se prepara para receber a primeira grande investigação museológica sobre o fenômeno dos memes no país. A partir do dia 28 de março, a mostra “MEME: no Br@sil da memeficação” ocupa o edifício histórico da Praça da Liberdade para analisar como essa linguagem digital transbordou as telas e passou a pautar a política, a economia e a produção estética nacional.
A exposição chega à capital mineira após temporadas de sucesso em São Paulo e Brasília, consolidando o Brasil como um dos maiores polos mundiais de produção de conteúdo viral. Sob a curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, com colaboração do perfil @newmemeseum, a iniciativa apresenta um acervo diverso que inclui vídeos, instalações sonoras, esculturas, neons e experiências interativas.
Diálogo entre o digital e as artes visuais
O projeto rompe com a hierarquia tradicional entre “alta” e “baixa” cultura. Nas galerias, obras de nomes consagrados como Nelson Leirner, Anna Maria Maiolino e Claudio Tozzi dividem espaço com produções de fenômenos da rede, como a personagem Blogueirinha, o coletivo Porta dos Fundos e o influenciador John Drops.
“Memes não são só piadas. Eles são ferramentas políticas, culturais e afetivas. São como o Brasil elabora, disputa e contorna suas diferenças em tempo real”, explica a curadora Clarissa Diniz.
Logo na entrada, no pátio do CCBB, o público encontra o prólogo “Alisa meu pelo”. O espaço conta com esculturas táteis inspiradas na onça da nota de R$ 50 — um dos virais mais emblemáticos de 2017 — criadas pelos artistas José Francisco Afrânio, Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann.
Percurso narrativo e núcleos temáticos
A expografia é dividida em cinco núcleos que exploram desde a origem linguística dos termos até o impacto mental da hiperexposição nas redes:
- Ao pé da letra: Analisa as dublagens, emojis e jogos semânticos.
- A hora dos amadores: Foca na visibilidade de “pessoas comuns”, como Alessandra Araújo e Raphael Vicente.
- Da versão à inversão: Investiga a paródia como gesto crítico e criativo.
- O eu proliferado: Debate a autoperformance, dancinhas e a mercantilização da autoestima.
- Combater ficção com ficção: Examina a polarização política e os riscos da desinformação.
O encerramento é marcado pelo epílogo “Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?”, realizado em parceria com o #MUSEUdeMEMES da UFF. O setor apresenta depoimentos em vídeo de figuras como Gregório Duvivier e a artista Malfeitona, que discutem o futuro dessa linguagem fluida.
