Doar é um gesto bonito, mas às vezes aquilo que chamamos de doação acaba virando apenas descarte. Em Belo Horizonte, a Casa do Caminho acolhe pessoas que vêm do interior para enfrentar tratamentos médicos complexos. Muitas chegam fragilizadas, longe de casa, e encontram ali abrigo, cuidado e dignidade.
Grande parte desse trabalho é sustentada por um bazar formado por doações da comunidade. O problema é que uma parte significativa do que chega não pode ser usada. Roupas rasgadas ou muito sujas, móveis quebrados, alimentos vencidos, sapatos sem par e livros faltando páginas. Há casos difíceis de acreditar, como absorventes usados, meias furadas ou ventiladores sem hélice.
Tudo isso precisa ser separado, transportado e descartado. Tempo e energia que poderiam estar sendo dedicados ao acolhimento acabam sendo gastos com aquilo que, na prática, vira lixo. Doar é um gesto de solidariedade, uma forma de lembrar que vivemos em comunidade e que a vida de um pode ajudar a sustentar a vida de outro. Por isso, antes de doar, vale uma pergunta simples: eu usaria isso? Eu daria isso para alguém que amo?
