Na China, um aplicativo simples e inquietante viralizou entre os jovens que moram sozinhos. O nome já provoca: Você está morto? A lógica é direta: a cada dois dias, a pessoa precisa apertar um botão no celular para confirmar que está viva.
Se não fizer o check-in, o aplicativo avisa automaticamente os contatos de emergência. Pode parecer estranho à primeira vista, mas o sucesso da ferramenta diz muito mais sobre solidão do que sobre tecnologia. Diz sobre tecnologia, obviamente, mas diz muito sobre o isolamento social. Milhões de jovens vivem sozinhos nas grandes cidades chinesas, longe da família, trabalhando muito, falando pouco e sendo vistos quase nunca.
Em 2030, estima-se que até 200 milhões de pessoas estarão nessa condição no país. O aplicativo se apresenta como uma companhia segura para quem vive só, como estudantes, profissionais, pessoas introspectivas ou em situação de vulnerabilidade emocional. Não promete cura nem afeto profundo; oferece algo básico: alguém perceber se você sumir.
No fundo, a pergunta que ficou na minha cabeça não é se estamos vivos biologicamente. É outra: quem perceberia se a gente não estivesse mais por perto?
