Pneu remoldado enfrenta controvérsias no Brasil por uma questão de regulamentação técnica que afeta diretamente o comportamento do carro. No mundo inteiro, o pneu remoldado é produzido aproveitando-se a carcaça de um pneu usado que ainda esteja em boas condições. Como essa estrutura é a parte mais resistente, ela pode perfeitamente receber uma nova camada de borracha.
O problema central é que cada carcaça é projetada originalmente para um uso específico: umas para carros esportivos, outras para comerciais leves ou picapes. Em outros países, a legislação exige que as características da carcaça original permaneçam gravadas na lateral do pneu após a remoldagem. Isso garante que o consumidor saiba exatamente o que está comprando.
No Brasil, o Inmetro não fez essa exigência. Por aqui, a camada de borracha aplicada na lateral esconde as informações da “vida passada” do pneu. O resultado é que você pode instalar dois pneus visualmente idênticos no seu eixo dianteiro, mas um deles ter carcaça de Porsche e o outro de uma picape de carga. Como cada carcaça tem uma rigidez e um peso diferente, o carro perde o equilíbrio e a segurança em frenagens e curvas.
