Uma mãe disse num grupo de amigos que antigamente as crianças brincavam na rua, jogavam queimada, rouba-bandeira ou simplesmente ficavam ali conversando na calçada sem grandes preocupações. Ela disse que hoje não se sente mais segura ao deixar o filho na rua e que prefere ele dentro de casa.
Um professor que estava no grupo trouxe uma reflexão que mudou a conversa ao dizer que talvez a gente não saiba exatamente onde está o maior risco. Porque, enquanto nos preocupamos tanto com o que está fora de casa, quase não falamos do que acontece dentro dela. O que antes parecia proteção pode não ser mais suficiente. A criança que não está na rua geralmente está no quarto, diante de uma tela conectada a um mundo amplo e sem muitos filtros, muitas vezes até sem acompanhamento.
No livro “A Geração Ansiosa”, Jonathan Haidt chama a atenção para isso ao dizer que estamos protegendo nossos filhos no mundo real, mas ainda pouco atentos ao que eles enfrentam na internet. O cuidado continua sendo necessário, mas hoje ele exige presença também dentro de casa, acompanhando, conversando e participando do mundo em que eles já estão inseridos.
