Existe uma frase de Michel de Montaigne que segue atual e necessária. Ele disse que a palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta. Isso nos lembra que falar nunca é um ato neutro e solitário.
Quando alguém fala, coloca na palavra sua história, seus valores, seus sentimentos e até aquilo que não consegue nomear. Cada frase carrega intenções e afetos, mas a palavra não termina em quem fala. Ela continua em quem escuta. E quem escuta também traz sua própria bagagem, suas experiências, suas dores e suas expectativas. Por isso, uma mesma fala pode acolher uma pessoa e machucar profundamente outra.
A palavra pode aproximar ou afastar, esclarecer ou confundir. Falar bem é importante, mas escutar é indispensável. Escutar com atenção, com abertura e com respeito. Escutar sem a pressa de responder ou a necessidade imediata de concordar ou discordar.
Escutar como quem reconhece o outro como alguém legítimo. Escutar para saber o que falar, como questionar e como se posicionar de forma consciente.
