A CineOP 2026 promete transformar Ouro Preto, na Região Central de MG, em um grande centro de reflexão sobre cinema, memória e patrimônio audiovisual. Entre os dias 25 e 30 de junho, a 21ª edição da mostra de cinema exibirá 135 filmes gratuitos, entre longas, médias e curtas-metragens, distribuídos em mostras temáticas, sessões especiais, pré-estreias nacionais e exibições ao ar livre.
Reconhecida como o principal evento brasileiro dedicado à preservação, história e educação audiovisual, a mostra reúne produções de 18 estados brasileiros e de seis países, reafirmando seu papel como espaço de encontro entre diferentes cinematografias e perspectivas sobre o audiovisual. Os títulos que serão exibidos nesta edição vão dialogar com o conceito “Um país existe nas imagens que preserva”.
A programação da CineOP 2026 será realizada no Centro de Artes e Convenções da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), na Praça Tiradentes e no Cine-Museu, instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte das atividades também poderá ser acompanhada gratuitamente pela internet.
Exibição de filmes em pré–estreia
Um dos destaques da edição é a Mostra Competitiva Contemporânea “Arquivos em Questão”, que apresenta cinco longas-metragens em pré-estreia nacional. As obras foram selecionadas por explorarem o uso criativo de imagens de arquivo como elemento central de suas narrativas.
Entre os títulos estão “Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas”, de Carlos Adriano; “Apocalipse Segundo Baby”, documentário sobre a trajetória de Baby do Brasil; “Universo Circular – Jocy de Oliveira”, dedicado à compositora e pioneira da música eletrônica; “Irritante Prodígio”, de Luiza Lindner; e “Notas sobre um Desterro”, de Gustavo Castro.
A Mostra Contemporânea amplia o debate sobre memória e história por meio de documentários e ensaios audiovisuais. Entre os destaques estão “Anistia 79”, dirigido por Anita Leandro, que revisita imagens ligadas à luta pela anistia durante a ditadura militar brasileira, e “Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário”, que recupera registros inéditos da produção do álbum lançado pela cantora em 1995.
Obras dirigidas por mulheres
A programação também contempla a Temática Histórica, que neste ano tem como eixo “Como Elas Começaram? Memórias do Primeiro Filme”. A seleção revisita obras marcantes dirigidas por mulheres de diferentes gerações do cinema brasileiro.
Integram a mostra produções como “Feminino Plural”, de Vera de Figueiredo; “Mar de Rosas”, de Ana Carolina; “Que Bom Te Ver Viva”, de Lucia Murat; “Um Céu de Estrelas”, de Tata Amaral; e “Um Dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira.
A cineasta Helena Solberg, homenageada da edição, terá parte de sua filmografia exibida durante o evento. Considerada uma das pioneiras do cinema dirigido por mulheres no Brasil, ela receberá o Troféu Vila Rica. Entre os filmes programados estão “A Entrevista” (1966), marco do cinema feminista brasileiro, “Meio-Dia” (1970) e o documentário “Carmen Miranda: Bananas Is My Business” (1995).
Recuperação da memória cinematográfica
A preservação audiovisual também ganha protagonismo na CineOP 2026. A Mostra Preservação apresentará cópias restauradas e obras dedicadas à recuperação da memória cinematográfica. Um dos principais destaques é “O Ébrio”, clássico dirigido por Gilda Abreu, em 1946, que será exibido em versão restaurada em 4K no ano em que completa 80 anos.
Outro momento relevante da programação será a exibição de “Os Irmãos Segreto”, documentário que recupera a trajetória dos pioneiros italianos do audiovisual brasileiro, além de “O Filme Infinito”, produção argentina construída a partir de fragmentos de obras inacabadas.
Voltada à formação de público, a Mostra Educação reúne produções realizadas em contextos escolares e projetos pedagógicos. Entre os longas selecionados estão “Fraternura”, sobre a trajetória de Frei Betto, e “Arquivo Vivo”, que revisita quatro décadas do projeto Vídeo nas Aldeias.
O público infantil também terá espaço garantido na programação com a Mostrinha de Cinema, que apresenta o longa de animação “Papaya”, dirigido por Priscila Kellen. A produção acompanha a aventura de uma semente de mamão que sonha alcançar o sol, em uma narrativa marcada por cores vibrantes e elementos da natureza.
Além das exibições, a CineOP 2026 terá debates, encontros profissionais, oficinas, masterclasses internacionais, lançamentos de livros, shows, exposição, sessões Cine-Escola, programação on–line e o 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros.
Abertura homenageia Helena Solberg
A abertura oficial da CineOP 2026 ocorrerá na próxima quinta–feira (25/6), às 19h30, na Praça Tiradentes, reunindo artistas, estudantes da UFOP e convidados em uma performance audiovisual inspirada no tema central desta edição: “Um país existe nas imagens que preserva”.
Concebido por Chico de Paula e Raquel Hallak, o espetáculo propõe uma reflexão sobre os primeiros gestos de criação, da vida, do cinema e da memória, conectando os três eixos temáticos da mostra: Preservação, História e Educação.
A cerimônia também marcará a homenagem à cineasta Helena Solberg, uma das pioneiras da direção cinematográfica feminina no Brasil. A realizadora receberá o Troféu Vila Rica e terá parte de sua obra destacada na programação. Logo após a solenidade, o público poderá assistir à exibição dos curtas-metragens “A Entrevista” (1966), considerado um marco do cinema feminista brasileiro, e “Meio-Dia” (1970), obras que representam os primeiros passos da diretora no audiovisual.
A apresentação terá a participação de artistas mineiros e estudantes do curso de Artes Cênicas da UFOP, além de trilha sonora executada ao vivo pela DJ Fê Linz e intervenções visuais assinadas pelo VJ Gabriel Fix. A noite de abertura da CineOP 2026 será encerrada com apresentações musicais do DJ Pátrida e da banda Tropikaus, que levarão ao público um repertório que mistura música eletrônica, clássicos brasileiros e canções regionais.
21ª CineOP
Data: 25 a 30 de junho
Local: Centro de Artes e Convenções da UFOP, Praça Tiradentes e Anexo do Museu da Inconfidência | Ouro Preto
Entrada gratuita